MT 040 - Nova Esperança, 78180-000 Cuiabá

Em 2018 nós do LACAN – Laboratório de Permacultura e Bioconstrução e a CAN Sustentável – Escritório de Bioarquitetura, tivemos como propósito ir além do que já havíamos alcançado, com a missão de disseminar e multiplicar pensamentos e atitudes por meio de vivências, encontros, projetos, construções, promovendo soluções sustentáveis para as ações e ocupações humanas. Nos vimos desafiados não só em expor ideias, mas, principalmente, em edificar e tornar ainda mais consolidado o conceito que acreditamos e praticamos nesses 10 anos de existência.

“Afinal, quem irá construir dessa forma que você mostra em suas palestras? Quem irá voltar a construir com barro, ou terra, se há tanta tecnologia à disposição?”, me perguntam ao final de cada apresentação.

Primeiro é importante rever nosso conceito de tecnologia. A tecnologia está na solução em si, e não apenas nos aparelhos e produtos oferecidos pelo mercado. Como disse o premiado Arquiteto e Urbanista Portocarrero, em uma de suas apresentações, “a tecnologia, muitas vezes, está no desenho, no mecanismo” ao se referir ao inteligente sistema construtivo das casas dos grupos indígenas da etnia Bororo.

Assim como nos modelos antigos e na “nova” bioconstrução, a tecnologia está em tudo, nas soluções dadas durante a fase de projeto, seguindo o trajeto que o sol desenha no céu, nas mudanças de temperatura que esse percurso promove, na direção do vento predominante para se criar canais de ventilação e nos materiais naturais aplicados na execução.

Uma aplicação prática na quente cidade de Cuiabá – MT, por exemplo, onde estamos sediados, são as soluções para isolamento térmico. As soluções mais convencionais se apresentam em placas de isopor e potentes aparelhos de ar condicionado para se controlar a temperatura interna do ambiente. No entanto, uma solução natural para amenizar altas temperaturas é o reboco natural (mistura de terra local com algum tipo de estabilizador: cal virgem, cimento, ou até mesmo esterco bovino), aliado a sistemas de resfriamento de telhados através da captação e armazenamento da água da chuva e o já conhecido telhado verde ou telhado jardim. Outras tecnologias simples como o uso de tijolos de vidro reaproveitados para iluminação natural e vários outros recursos tão simples e acessíveis e ao mesmo tempo, tão ignorados aos olhos técnicos dos profissionais da área.

Claro que há no mercado soluções para cada objetivo (e dezenas de marcas disputando a escolha do cliente), mas há de se repensar as escolhas e os impactos que elas têm o poder de gerar, tanto positivos, quanto negativos. 2018 foi um ano em que nossas escolhas pela sustentabilidade foram colocadas à prova (por nós mesmos) para que se tornassem mais competitivas neste mercado da construção convencional.

E agora definitivamente estamos nessa conquista, entre forros de gesso, aparelhos climatizadores e revestimentos de “primeira linha”, edificamos soluções simples, porém, não menos eficazes. E não se assustem se as soluções por nós propostas remetem ao passado de 50 ou 100 anos atrás, este movimento de buscar o maior impacto positivo possível, para nosso bem-viver e de outras espécies, tem se refletido na mesa, nos resíduos que geramos, na saúde que queremos, assim, estamos ressignificando valores. A construção entra neste caminho sem volta, o caminho do resgate, da antiga e boa Arquitetura, do design funcional. E que a tecnologia high tech seja muito bem-vinda, para somar, e não substituir, o que aprendemos tão bem a fazer. Mãos à obra e um 2019 bastante construtivo.

 

Figura 1 – OBRA: Requalificação da Reserva Técnica do Museu da Pré-História

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